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Henrique Wagner
Henrique Wagner
Qual a proposta da oficina?
- sensibilização artística e criação. A partir da leitura regular de poesia, fazer de todo participante um criador. Tirar o aluno da condição passiva de ouvinte, apenas. E como poesia trabalha com todo o universo, tudo é matéria de poesia, a oficina trabalhará, inapelavelmente, com diversas manifestações artísticas e tipos de conhecimento: cinema, artes plásticas, música erudita, literatura, filosofia.

Qual será o método utilizado?
- pretendo usar a prática em sala de aula como tônica da oficina. Naturalmente haverá estofo teórico, mas tudo sempre será “feito”, e feito em sala de aula. Em tempos de google a informação deve ser trabalhada de modo a alcançar o status de formação. Aprofundar a informação, fazer do conhecimento um instrumento prático. A oficina tem o aluno como prioridade. Os temas serão apresentados, seu savoir-faire, e a partir da reação de cada aluno, seguirei determinado caminho, um caminho que aceite os passos de todos.


Que disciplina, exatamente, você ensinará?
- a rigor, Humanidades. Palavra esquecida. Mas prefiro dizer que estudaremos Poética, menos pretensioso. Em Poética estuda-se uma porção de coisas. Ela é multidisciplinar por excelência, e só acredito em educação multidisciplinar, ou seja, com todas as conexões possíveis entre as diversas formas de conhecimento e manifestação artística. Pretendo dar ferramentas ao aluno para que ele possa aproveitar melhor dos atributos de todo e qualquer tipo de manifestação artística. Todas as formas de arte serão abordadas, tendo a poesia, mãe das artes, segundo Aristóteles, como dominante, ponto inicial. Trata-se de uma formação ou experiência renascentista, em que o matemático é filósofo e o filósofo constrói casas – é um homem prático, funcional, sem deixar de ser contemplativo [manteremos acesos os arquétipos de Narciso e Orfeu].


Todos podem fazer o curso?
- sim, todos têm potencial criador. Há os que ainda não descobriram, mas todos podem criar, a partir de um impulso dado sobre aquilo que há de mais sensível em cada um, ou mesmo recôndito. O aluno saberá se expressar a seu modo, porque em verdade somos escolhidos por uma vocação, que em alguns casos demora a acordar. A poesia é dos melhores caminhos para atingir esse fim: é primordial – um estuário –, absolutamente humana [sem necessidade de tecnologias, embora a ciência da técnica possa ser usada], acessível e riquíssima em conhecimento, em polissemia e em informação de nossos sentidos. Mas é importante que tudo seja trabalhado em sala de aula, inicialmente, pelo menos, para que haja mesmo um monitoramento, um guia. Lê-se muito mal poesia... Tenho visto pessoas com grande conhecimento em literatura que não sabem ler poesia... E é fundamental ler corretamente um poema para apreendê-lo em sua totalidade, ou ao menos em suas possibilidades várias. Ouvir o poema que está lendo, porque poesia, como afirmou Ezra Pound – poeta e crítico de literatura norte-americano –, é música, não literatura. Daí ser tão importante ler, pelo menos duas vezes, um poema: uma vez silenciosamente, outra em voz alta. A catarse se aproxima bastante das famosas portas da percepção de Aldous Huxley, só que sem a necessidade do peiote... Pois bem, pretendo abrir as portas da percepção daqueles que participarem da oficina. E não há mágica ou misticismo nisso, menos ainda genialidade de minha parte: darei apenas um suporte para o potencial que há, sempre, em todos.


Como você trabalhará Filosofia em sala de aula?
- minha relação com filosofia é a mesma com poesia: estética. Uma idéia pode ser tão bela quanto um bom verso. Um filósofo que escreva bem acaba por ser poeta... Caso notório é o de Niesztche, cujos livros de filosofia são verdadeiros tratados do belo... ele era poeta, antes de mais nada, publicou bons livros de poemas... Schopenhauer e Merleau-Ponty escreveram seus textos filosóficos como se escrevessem poesia. Os livros e ensaios desses dois pensadores são sempre maravilhosos, esteticamente. O mesmo não se dá com um Hegel, por exemplo, ou Kant, que eram grandes pensadores mas escreviam mal... Portanto, o que faremos em sala de aula é conhecer temas fundamentais do pensamento ocidental e buscar neles um motivo estético. Não haverá qualquer tipo de filiação ou militância em torno de uma idéia, busca de sentido da vida por tal e qual pensamento.


E como será o trabalho com cinema e música erudita?
- Como cinema é uma arte recente, com pouco mais de cem anos apenas, estudaremos sua história, uma vez que se trata de uma oficina. Mas ainda assim, a prioridade está em dar ferramentas ao aluno para desfrutar melhor da sétima arte. Estudaremos o conceito de fotografia, planos, tomadas, montagem, som direto. Entenderemos melhor a engrenagem, os bastidores de um filme. Haverá projeção de filmes emblemáticos para cada escola ou época. Do cinema mudo às animações que tanto fazem a cabeça de muitos, atualmente. Quanto à música erudita, ouviremos sonatas, concertos, sinfonias, em sala de aula, passarei o conceito de todos esses gêneros, contexto histórico etc... Isso tudo com o objetivo de sensibilizar artisticamente, não de formar um músico. A partir da audição de música erudita é possível, naturalmente, que alguém se interesse em aprofundar o estudo nessa área.


Qual o período da oficina?
- seis meses, com duas aulas semanais de uma hora, cada, em dias diferentes.


Que mais a oficina oferece?
- interpretação de texto. Será uma constante em tudo o que fizermos. Além disso, haverá um horário reservado à gramática normativa e estilística, com direito ao novo acordo ortográfico de língua portuguesa.



 
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